Pedro Andrade – Eroded | Erased | Reduced

Lagoa Henriques, sem título, 1985, desenho sobre papel, 85,59,5 cm BD
Lagoa Henriques – Sem Título
convite Arte de Bolso 2022-08
Arte de Bolso 2022
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Pedro Andrade – Eroded | Erased | Reduced

Convite exposição

Convite exposição

A Galeria Sete tem o prazer de anunciar a exposição individual do artista Pedro Andrade,

Eroded | Erased | Reduced

Inauguração dia 3 de dezembro (às 15h)

Em Pedro Andrade (Luanda, 1954), a sua pintura e a sua vida estão em ressonância intima, não há em nenhuma delas a necessidade de adotar uma persona ou criar uma forma de uma se aproveitar da outra. Pode quase dizer-se que Pedro Andrade exerce-se pintor sem proveito, que faz interminavelmente há décadas mas teme ou se alheia de exposições tendo contudo dado um SIM inequívoco à missão da pintura na sua vida.
Viveu até 1977 entre Angola, Namíbia e África do Sul, onde estudou em Cape Town. Nos anos 80, inicio dos anos 90, já a viver e trabalhar em Lisboa revela um trabalho que augura uma carreira promissora e isso reflete-se na sua participação na exposição “Imagens para os anos 90”, comissariada por Fernando Pernes e João Pinharanda, que em 1993-94 fez itinerância entre a Fundação de Serralves, o Centro de Exposições do Alto Tâmega- Chaves e a Culturgest -Lisboa, da qual ficou para a posteridade o testemunho de um catálogo e que foi provavelmente a exposição prospetiva mais importante realizada em Portugal, onde pontuavam nomes como André Gomes, António Olaio, Daniel Blaufuks, João Louro, João Tabarra, Miguel Ângelo Rocha, Miguel Palma, Paulo Feliciano, entre outros, hoje sobejamente conhecidos , numa boa aferição do grau de perspicácia dos comissários que também incluíram Pedro Andrade.
Todavia, como o próprio diz “…sempre me foi difícil viver nas nossas cidades grandes e ainda mais difícil lidar com o meio artístico. Não me adaptei à vida em Lisboa e viver na província era uma adaptação à minha falta dessa habilidade social…”. Relacionado com isso, a noção de que “…precisava de formas próximas mas alternativas de ganhar a vida, poder continuar a fazer arte sem depender dela para viver…” levou-o a ir viver em Aveiro, a trabalhar comercialmente com design, decoração, objetos artísticos e a fundar um atelier a que se juntaram dois ou três amigos próximos, na cave do estabelecimento comercial onde exerce esse seu trabalho “para viver” e onde atualmente já só ele trabalha também na sua pintura, quase secretamente, na sua cave.

O título que o artista escolhe para esta exposição na Galeria Sete, “Eroded|Erased|Reduced”, (Erosão|Apagamento|Redução), depois destas pequenas notas biográficas , tanto nos pode parecer adequadamente uma descrição da forma como o seu processo criativo ocorre como uma subtil (e dura) referência à consciência que tem de si mesmo.

A cor e o processo quase meditativo do fazer (a que o titulo da exposição alude), traz luz; a escrita que se soma frequentemente, ou melhor, a garatuja, não traz clareza, adensa. Não há a juventude inquieta da pergunta, talvez apenas e desde sempre a maturidade da personalidade introspetiva e tímida de somente tentar compreender, integrar, sintetizar (missão algo impossível, que impõe recomeços constantes e incessantes em cada quadro, onde o processo é o fio condutor e o formato se vai adaptando às circunstâncias, a tentativa e erro se vão fazendo e avaliando).
Há assim na sua obra uma quietude frenética, uma expressão/criação sem entraves porque independente de almejar resultados fora da própria pintura (não ambiciona resultados para si mesmo, apenas ambiciona pela pintura, ela mesma na liberdade para a qual o artista se procurou organizar)
A beleza que sentimos nesta pintura, o seu encanto, magnetismo, é talvez a sua presença como objeto que não ambiciona manifestar nada que não simplesmente existir como a natureza que tudo contém, que encerra o claro-escuro das alturas luminosas e das profundezas tenebrosas, o mistério imperscrutável. É uma pintura ainda natureza, sem programas, não instrumental, que existe para si mesmo e não para dizer ou obter algo.
Esse criar sem finalidade prevista é bem revelador do sentido metafisico, do sentido de mistério que envolve todas as ações profundamente humanas.