Exposições

CAGED Convite

CAGED - Alexandre Baptista

08 de Maio a 9 de Junho de 2021

 

A Galeria SETE tem o prazer de convidar V. Exa para a abertura da exposição “GAGED” de ALEXANDRE BAPTISTA, que terá lugar no dia 8 de Maio pelas 17h00.

No decorrer da exposição será ainda apresentado o livro GAGED, numa edição numerada e assinada pelo artista, com texto de Sérgio Fazenda Rodrigues.

A exposição “CAGED” reúne um conjunto de 15 obras de autoria de Alexandre Baptista, todas realizadas no decorrer de 2020 e 2021.

 

CAGED

"O trabalho de Alexandre Baptista assenta em composições que agrupam pinturas, textos e imagens de diferentes origens, articulados na procura de uma nova entidade. Nestas obras, o artista apropria-se de escritos e antigas fotografias a preto e branco para, com a introdução da pintura, problematizar uma (re)construção do sentido, equacionando a noção de coexistência, individualidade e série.

Os textos que integram as obras aludem a um momento de espera e reclusão, e aproximam-se ao registo de uma legenda, nota ou memória. Estes trechos repetem-se e exploram a ideia de um tempo cíclico ou de recorrência que, na sua insistência, se torna vago e indefinido. Decorrendo de um cruzamento de formatos e autores, da definição objectiva do termo Caged (que dá nome à série de trabalhos que integram a exposição) ao recorte poético das frases de AlBerto e Bernardo Soares / Fernando Pessoa, a reordenação destes elementos cria uma nova realidade. Uma existência complexa, cíclica e multifacetada, mas perpassada pela prostração que, no âmago, corrobora o sentido que as fotografias detêm.

As fotografias, adquiridas a um arquivo digital do governo norte-americano, centram a composição e incidem na apresentação de vários espaços que nos mostram situações de passagem ou transição. Sublinhando o entreabrir de portas, janelas, grelhas ou perspectivas, e arreigadas a um imaginário que se distingue pela ideia de vazio e pela alusão a um tempo suspenso, as imagens pertencem a um período e a um lugar passado, vagamente indefinido. A aridez da paisagem e a secura das construções é ampliada pela ausência das pessoas, e pelo modo como nos é mostrado o que resta de uma acção que há muito cessou (uma janela que continua tapada, uma cadeira de baloiço que permanece parada no alpendre, ou as grades das celas que se deixaram ficar entre-abertas).

O texto e a fotografia articulam-se com um suporte pintado, onde se apaga a presença ou o gesto do artista, dando lugar a um fundo unificador. Surgindo da livre disposição de uma mancha aguada que, com o passar dos dias, secou, a pintura traz-nos de volta a ideia de um tempo lato que se reconhece no desgaste e no abandono, presente no desenho que o processo institui.

Estes elementos cruzam-se ainda com uma mancha negra, opaca e de recorte geométrico, que é contrária à natureza solta do fundo e marca uma planimetria imaginada para os espaços apresentados. Nesta operação, efabulando hipóteses em torno de uma imagem que se oculta debaixo da tinta, o artista convoca, uma vez mais, o desígnio de um vazio que atravessa todo o trabalho.

Curiosamente, se o desgaste indicia uma repetição (ou uma permanência reiterada que leva à erosão), o abandono acusa um afastamento, porventura desencantado. O que nos prende a atenção é, então, uma permanência descentrada ou uma vontade de fitar o que assoma à nossa frente, com o olhar perdido no que ficou para trás (numa acção que já decorreu, da qual nos chega, apenas, um eco). O que Alexandre Baptista nos revela, entre a insistência do que permanece e a descrença do que se afastou, é uma estranha melancolia, surgida da espera ou da demora do olhar. Algo, onde conseguimos reconhecer, simultaneamente, a expectativa de um porvir e a dúvida de um acontecimento.

Dir-se-ia, assim, que existe uma inquietude na relação entre o que as imagens registam e o que as palavras transportam, tal como na ligação entre a clareza geométrica da mancha negra (que efabula e não revela) e a natureza solta do fundo pintado (que revela e não efabula). Entre a hipótese e a afirmação, o rigor e o desprendimento, o que se encontra cativo (caged) é o olhar do observador. Um olhar que vagueia preso a um tempo e a um espaço indefinido, num hiato que se repete uma e outra vez. Como quem permanece à espera, reiterando uma vontade, uma ilusão, ou uma vaga esperança por algo que, na verdade, se apagou."

 

Sérgio Fazenda Rodrigues

 

 

CAGED Convite

CAGED – Alexandre Baptista

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