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Caio Marcolini

20 Maio, 2020
Caio marcolini - ORG101- série Hibridos -Trama em arame de latão 80x80x30cm - 2020

Caio Marcolini – ORG 101, da série Híbridos

  Artista: Caio Marcolini Título: ORG 101, da série Híbridos Dimensões: variáveis (80x80x30cm) Data: 2020 Técnica: trama em arame de latão
20 Maio, 2020
Caio Marcolini - 2 ORG80- série Parazoa - Trama em arame de latão 50x35x23cm -2019

Caio Marcolini – ORG 80, da série Parazoa

  Artista: Caio Marcolini Título: ORG 80, da série Parazoa Dimensões: 50x35x23cm Data: 2019 Técnica: trama em arame de latão

SOBRE:

​Caio Marcolini
Niterói, 1985
Vive e trabalha no Porto, Portugal.
É artista plástico, formado em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2012) e técnico em Ourivesaria pelo SENAI (Rio de Janeiro, 2007), ambos no Brasil. A sua
investigação situa-se entre o material e o etéreo, e está endereçada à elaboração de objectos cuja estrutura em fio de metal é concebida por meio de ferramentas desenvolvidas pelo próprio artista.
Participou de exposições colectivas como Coletiva70, Casa70 Lisboa (Lisboa, Portugal, 2020), Trama, na Inthependant Gallery (Porto, Portugal, 2019), Arte de Bolso (Coimbra, Galeria Sete, Portugal, 2018), Nunca fuímos nada - Primeira Bienal de Arte rechazado (Galeria Los14, México, 2018), Ases & Trunfos (Galeria Sete, Coimbra, Portugal, 2018), SP Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo (OÁ Galeria - Arte Contemporânea e Jackie Shor Arte, São Paulo, Brasil, 2018), 42° Salão de Arte de Ribeirão Preto (2017); 45° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto (Santo André, SP, 2017); 5° SOAL – Salão de Outono da América Latina (Memorial da América Latina, São Paulo, 2017); e Através da Trama , com curadoria de Marcus Lontra (HAG – Home Art Gallery, São Paulo, 2016). Foi aluno da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, com orientação do artista e curador Franz Manata (Desenvolvimento de protejo, 2016), e de Charles Watson (Processo Criativo, I, II, III, 2015).

O trabalho artístico de Caio Marcolini  confunde-se com o seu ofício e formação em ourivesaria, artes e desenho industrial. Se por um lado é possível imaginar as contradições e particularidades entre tais campos, a partir de suas lógicas distintas de pensamento e produção, o que Caio faz é justamente confundir fronteiras, ao deslocar o seu constructo entre esses espaços discursivos.
Pensar o fazer escultórico na contemporaneidade é resgatar um ofício que remonta à própria História da Arte, para então, actualizá-lo. Existe, portanto, uma herança da tradição da escultura que Caio exercita na sua prática artística. Ali investiga o material, testa, desenvolve técnicas e ferramentas, adaptando o conhecimento adquirido sobre o universo da escultura, do desenho e da artesania para suas próprias necessidades. Sua prática é nutrida e  nutre-se pelo gesto do movimento: a ideia move-se à feitura do objecto, uma trama maleável de infinitos elos, e toma forma, reconstrói-se, tanto quanto permita o ensejo do seu criador. Também podemos percorrer as delicadas construções que elabora o artista pegando emprestado conceitos arquitectónicos; uma vez que entre ritmo, repetição e harmonia, podemos buscar solidez, funcionalidade e beleza, características de uma boa construção segundo Vitruvius.

Há nessa busca construtiva um embate directo entre artista e matéria, é de tanto observá-la que pode finalmente tensionar e expandir, mudar de direcção. É interessante notar como o
artista entende cada peça de forma autónoma, mas igualmente pertencente a um conjunto maior que denomina colónia. Assim, os organismos, que possuem características que podem remeter à constituição celular, se alastram, se reorganizam, em um pulsar contínuo que é o da própria vida.
Como observou Jean Genet, ao conceituar a relação entre obra e observador (1), cada objecto cria o seu espaço infinito, o que nos faz concluir que cada obra produz o seu próprio universo
de interpretação. E é com as pistas que nos dá o artista que encontramos a chave para desvendar as  suas motivações e condições de criação, e apreender, como continua o autor, na sua solidão simultaneamente essa imagem e o objecto real que ela representa. Assim, o papel do artista não é o de criar situações ou objectos para solucionar os problemas do mundo, mas viver imbricado nessa tensão entre desejo e realidade, respondendo com suas próprias ferramentas às inquietudes do que o rodeia. Nesse sentido, pode o artista deslocar-se entre diversas funções e labores, pouco importa a razão, uma vez que falamos de demandas pessoais e individuais. Outra coisa acontece quando é o trabalho que se move entre contextos. É possível pensar que cada vez que se infiltram em novos ambientes, as colónias de Caio assumem conotações também sempre mutantes: enganam os olhos distraídos em meio à urbe, flutuam pelo espaço expositivo, escorrem pelas paredes e vestem corpos, contaminando e sendo contaminadas por seus receptáculos e espectadores.

(1)Jean Genet. O ateliê de Giacometti. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2000.

Texto: Clara Sampaio - Artista Visual e Curadora Independente . 2020