Janeiro / Fevereiro 2011

«Carlos Barão tem sabido mergulhar nos processos de auto-reconhecimento, trazendo para suportes convencionais as linhas, arabescos, formas indecifráveis, objectos comuns que parecem apresentar e dar-nos a ver materiais da memória (…), escritas remotas, coisas que sinalizam a infância, um mundo que já foi e que vem até nós de muito longe, do côncavo do lago espesso onde se encontrava. Há uma imagem complementar que nos ajuda a perceber o processo: é a imagem de alguém que mergulha o braço naquela água, até ao ombro, e de lá vai repescando detritos da vida e das coisas, formas desprendidas e rotas, fios, papéis (…).
No seu pleno espaço de expressão, ele elabora formas através de linhas, tintas como que rasuradas, colagens, manchas de recortes particulares, antropomórficos, ou caligrafias narrativas em torno dos personagens do quotidiano, da família e dos adereços construtivos (…).
Cada quadro, onde estes elementos se identificam e logo se desvanecem ou são encobertos por outras camadas de tempo, constitui em geral um espectáculo de grande efeito expressivo, o apelo à criança que existe dentro de nós em vez do luxo verista de certas representações.»

Rocha de Sousa
(in “Jornal de Letras”, Abril 2009)

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