Ana Hatherly
26 Novembro, 2015
Ana Vidigal
26 Novembro, 2015
Voltar

Ana Pais Oliveira

26 Julho, 2017
Ana Pais Oliveira - Ninguem mora aqui II, acrilico e tecido s tela 2009, 45x166cm

Ana Pais Oliveira – Ninguém mora aqui II

Artista: Ana Pais Oliveira Título: Ninguém mora aqui II Dimensões: 45x166cm Data: 2009 Técnica: acrílico e tecido sobre tela
26 Julho, 2017
Ana Pais Oliveira - Quase deserto II, acrilico e tecido s tela 2009, 45x166cm AP

Ana Pais Oliveira – Quase deserto II

Artista: Ana Pais Oliveira Título: Quase deserto II Dimensões: 45x166cm Data: 2009 Técnica: acrílico e tecido sobre tela
26 Julho, 2017
Ana Pais Oliveira - Pela janela, agulha na mão I, acrilico s tela 2008, 45x166cm AP

Ana Pais Oliveira – Pela janela, agulha na mão I

Artista: Ana Pais Oliveira Título: Pela janela, agulha na mão I Dimensões: 45x166cm Data: 2008 Técnica: acrílico sobre tela
26 Julho, 2017
Ana Pais Oliveira - Pela janela, agulha na mão II, acrilico s tela 2008, 45x166cm AP

Ana Pais Oliveira – Pela janela, agulha na mão II

Artista: Ana Pais Oliveira Título: Pela janela, agulha na mão II Dimensões: 45x166cm Data: 2008 Técnica: acrílico sobre tela
26 Julho, 2017
Ana Pais Oliveira - Maquete 10, acrilico s madeira 2016, 23x23x11cm

Ana Pais Oliveira – Maquete #10

Artista: Ana Pais Oliveira Título: Maquete #10 Dimensões: 23x23x11cm Data: 2016 Técnica: acrílico sobre madeira

SOBRE:

Ana Pais Oliveira (1982, Sandim, Vila Nova de Gaia) vive em Arcozelo e trabalha em Espinho.
É licenciada em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto (2005) e doutorada em Arte e Design – Pintura pela mesma faculdade (2015), com o projeto A cor entre o espaço pictórico e o espaço arquitectónico: processos relacionais nas práticas artísticas contemporâneas.
Encontra-se em residência artística no FACE – Fórum de Arte e Cultura de Espinho, desde abril de 2016.
É membro colaborador do núcleo de investigação em Arte e Design no Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade e integra o projecto de investigação Bases Conceptuais da Investigação em Pintura (2014-2019). Foi bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) entre 2011 e 2015. É também membro do AIC Study Group on Environmental Colour Design e da APcor – Associação Portuguesa da Cor. Fez parte da selecção portuguesa para a Bienal Jovem Criação Europeia 2013/2015, itinerante por nove países europeus, foi selecionada para a XV Convocatória da Galeria Luis Adelantado em Valencia (2013) e venceu o Kunstpreis Young Art Award <33 [colour] da Galeria Art Forum Ute Barth em Zurique, Suíça, onde expôs individualmente no Verão de 2014. Foi nomeada, entre 30 artistas de vários países, para o Pegase International Art Award, Genebra, Suíça. Foi também selecionada para a longlist do Solo Award 2016 / London Art Fair 2017, promovido pela Wilson Williams Contemporary Art Gallery, Londres, e para o Premio de Pintura Fundação Focus-Abengoa 2017, Sevilha.

Obteve o Prémio Aquisição dos Amigos da Biblioteca-Museu de Amarante na 9ª Edição do Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (2013), o 1º Prémio Aveiro Jovem Criador (2009), o 1º Prémio Engenho e Arte (2009), o 3º Prémio no 1º Prémio Jovem de Artes Plásticas da Figueira da Foz (2009), o 1º Prémio Arte XXI 10 (2009) e o 1º Prémio Eixo Atlântico na VIII Bienal Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular (2008).

Entre as principais exposições destacam-se as individuais O Bairro, no Fórum da Maia (2016); Pintura fora de si (ou algumas soluções de habitação), no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso em Amarante (2015) e as coletivas Uamo Art Festival, Einstein Kultur, Theater Musik Wort Bild, Munique (2016), Mostra’16 Lisboa, Edifício Vasco da Gama (2016), Kunst Zürich Art Fair 15, Stand Art Forum Ute Barth, Zurique, Suíça (2015), #Best of... 20 Jahre, Art Forum Ute Barth, Zurique (2015) e Arte & Negócios 2015, projeto com a organização da We Art, Agência de arte, Porto Business School, Porto (2015).

Participa regularmente em conferências e seminários, tendo recentemente apresentado o seu trabalho em conferências em Génova, Newcastle, Valencia, Lisboa, Monção e Porto.

A sua obra está representada nas colecções da Fundação Focus-Abengoa (Sevilha), Banco BPI, Eixo Atlântico, Casa da Cultura/Casa Barbot, Grupo Nautilus, Museu Municipal de Espinho e Museu Municipal de Amarante.

Sobre o trabalho

 Pintura fora de si

Relaciono o meu trabalho recente com a designação Pintura fora de si, que se refere ao disseminado e amplamente discutido conceito de pintura expandida, ou campo expandido da pintura, mas, aqui, e mediante uma acepção talvez mais poética ou subtil, refere-se à pintura que deixou de estar bem na sua pele e de se identificar com os convencionais modos de a definir ou traduzir, iniciando uma viagem em direcção a campos vizinhos que a enriquecem, complementam ou transformam significativamente. Deste modo, esta pintura chama, para si, coisas que gosta de ver na escultura, na instalação ou na arquitectura, como se por momentos as invejasse, embora logo de seguida se lembre que estar fora de si é um estado de enorme ansiedade e desconstrução identitária, que mais vale regressar a si mesma e comportar-se com honestidade. Aí, a pintura fica consciente de si, voltada para os seus próprios meios, processos e questões. Pode parecer não estar bem onde está, pode viajar e procurar pontos de fuga inesperados, mas regressa sempre a si mesma. Esta pintura fora de si materializa-se em objectos híbridos com uma relação aproximada e aprofundada com a linguagem da arquitectura ou com o espaço real, cuja dimensão pictórica é, na maioria das vezes, evidenciada através da cor como elemento significativamente transformador do espaço e da arquitectura. Na verdade, a cor, no meu trabalho, é utilizada como base do processo criativo e um elemento de composição fundamental na interacção entre as linguagens pictórica e arquitectónica, bem como na nossa percepção da profundidade, do volume, da ilusão e do comportamento de objectos-pintura tridimensionais que mantêm uma conversa subtil com a arquitectura.

Em alguns casos, a deriva tridimensional da pintura acontece na própria escolha dos suportes, como é o caso das telas com diferentes larguras e espessuras que se articulam como um espaço unificado, embora mutável de acordo com o ângulo de percepção. Aqui, a pintura quer sair da parede, tornar-se volume e coisa contornável, embora não chegue a abandonar a parede. Talvez aconteça uma falta de coragem, talvez um ser fiel ao seu ser pintura, embora se acrescente um convite a uma experiência mais física e interactiva, como se as casas nos convidassem a entrar e a espreitar o que guardam e protegem. E, para percebermos todos os detalhes da pintura, somos forçados a percorrer o espaço, através de um comportamento mais performativo.

Noutros casos, a pintura chega a sair de si mesma e torna-se objecto tridimensional, sugerindo a projecção de uma arquitectura impossível de construir, embora se mantenha presa à parede. Estes modelos, ou maquetes, também utilizam a luz como elemento modelador do espaço e transformador da nossa percepção dos objectos, sendo que diferentes incidências de luz produzem distintos desenhos na parede.

Finalmente, em soluções recentes, a pintura efectiva o sair de si mesma e o sair da parede, ocupando o espaço e invadindo a arquitectura. É nestes casos que se oferece ao espectador a possibilidade de criar as acções de aproximação, afastamento, dobrar-se sobre o objecto, espreitar, entrar ou contornar a pintura.

Há, ainda, os desenhos, que como forma de pensar o espaço, a paisagem e a arquitectura, e de transmitir essa reflexão para o ato de riscar, são também pintura. No fundo, se a razão de lhes chamar desenhos for o suporte, a maior fragilidade do papel e o maior imediatismo de pegar em marcadores e riscar, justifico o nome desenho. Mas se pensar que desenho como quem pinta, talvez esteja a ser injusta para a pintura ao chamar-lhe outra coisa. Sobreponho camadas de papéis de cor como quem pinta, utilizando esses monocromos para tornar o próprio desenho tridimensional e com várias camadas de sentido.

Em todos os casos, a pintura convoca a arquitectura através de um mútuo questionamento e hibridização e, geralmente, a dimensão pictórica prevalece como resultado do privilégio dado à cor, esta enquanto elemento visual e expressivo com um significativo potencial transformador inerente às relações espaciais.

Entretanto, a casa surge como o lugar por excelência e elemento paradigmático de abordagem ao lugar. As paisagens submetem-se à arquitectura e a uma ideia de lugar para morar, sendo que o elemento casa, que também vive e morre e cuja segurança não é inviolável ou perene, também reflecte a fragilidade do ser humano. No meu trabalho, a casa é desconstruída, impossível e quase sempre aberta, atravessada por elementos que perturbam a sua convencional funcionalidade, acentuando a ausência, o vazio e o silêncio. O espaço vazio e o silêncio são sempre pontos de partida para todas as possibilidades. Daqui parte-se para uma dicotomia entre espaço e lugar, sendo este um espaço onde se introduzem experiências, memórias, afectos, construções vivenciais e objectos. Apesar de um crescente desenraizamento dos nossos lugares de eleição, numa procura apressada de qualquer coisa, a casa é sempre o nosso lugar, o nosso canto do mundo, como nos diz Gaston Bachelard. As casas ficcionais e disfuncionais que represento pretendem provocar um jogo de sedução para uma hipotética e utópica experimentação sensorial e física de lugares que achamos que conhecemos e onde nos poderíamos sentir bem. Não existindo, existem no espaço da pintura. Para além disso, provocam uma ideia de paisagem urbana, de passagem, de fronteira entre o que é interior e exterior e o que é público e privado.

Ana Pais Oliveira

 

 

Powered by themekiller.com anime4online.com animextoon.com apk4phone.com tengag.com moviekillers.com